quarta-feira, 1 de abril de 2015

Tudo bem

Ao passar pela rua, encontrei um velho conhecido. Elogiamos um ao outro e fui perguntada se estava bem. Foi aí que pensei:
"Estou feito caco de vidro: bonito e cortante. Todo meu corpo dói e vejo marcas por toda pele.
Cicatrizes que parecem nunca fechar e um coração tão pesado que parece estar afundando.
Coitado, está tão cheio de amor que chega a transbordar.

Preciso entornar um pouco desse balde. Porque o excesso sai pelos olhos?
Minha face se molha toda vez que penso em esvaziar o peito e deixá-lo com uma placa de 'interditado'.
Está proibida qualquer visitação temporariamente.
Mas ele insiste em invadir minha terra e faz com que eu não consiga expulsá-lo.
Tome mais um café, eu digo.
Com sorte, ele toma dois.
No fim das contas ele vai embora e deixa a casa desarrumada.
E eu, já sem forças, não tenho fôlego para ajeitá-la.
Sou inteiramente pó, mas o pó é dele, como irei varrê-lo?
Estou louca, psicótica e sofrendo.
Estou amando."
Com um sorriso no rosto apenas respondo: "Estou bem."

(E.R)

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