Abro os olhos e vejo que o Sol já
se exibe lá fora, ou pelo menos uma pequena demonstração de luz é posta
amostra. Não há Sol às cinco da manhã. Talvez eu queira encontrar meu Sol.
Junto forças contra minha vontade
de permanecer embaixo de minha coberta e me levanto com a expectativa de um dia
melhor que o anterior.
A água quente me desperta de um
sono maior do que eu imaginava sentir, e planta em minha mente planos para se,
por acaso, eu encontrar meu Sol.
A condução, nem tão rápida, nem tão devagar, me leva até o destino de meus sonhos. Não há beleza no prédio dos intelectuais da literatura, há formosura nos interessados por descobrir a proporção áurea dos elementos terrestres (e não tão terrestres).
Minha
aula é a mesmice de sempre. Português, português, português. Será que é porque
eu faço português? Queria entender porque sinto tanta saudade dos cálculos.
Ao
final, me deparo com a mesma sensação tola de estar faltando alguma coisa para
completar a rotina. O Sol? Ele não faz parte da minha rotina, embora eu tanto
quisesse. Não há luz, não há raio, não há nem mesmo uma faísca.
Eu fico
a procurar, tentando preencher a falta que um ser, que eu nem sei quem é me
faz. Ou sei? Talvez, quem sabe.
De
repente eu avisto uma miragem. Tão distinta e tão desprezada por todos, menos
por mim. Acho-a magnífica, simplória, até mesmo interessante.
Escuto
risadas, xingamentos, ofensas, mas não me importo. Tão bela e tão afortunada
imagem, porém pequena. Tão pequena que me dá vontade de colocá-la no bolso. Para
mim é perfeita.
Seu
formato, seu sorriso, seus olhos, sua boca, sua voz. Sua risada ecoa pelos meus
ouvidos de modo a maravilhar-me com seu doce som. Não sei como uma miragem tão
pequena pode fazer um rebuliço tão grande dentro de um pequeno órgão pulsante.
Que
miragem linda! Já disse, não? E fofa! Ah, e como é fofa...
Me pego
feito uma tola a admirar uma beleza que não chama tanta atenção. Comigo é
diferente, ela prende meus olhos, suspende minha respiração. Tem-me como uma
boneca que não fala e nem pisca.
Eu
queria deixar de ser boneca e ir até ela. Queria dizer-lhe que ela ganhou, que
já pode parar com o jogo. Meu coração já foi tomado de meu peito.
Queria
tocar-lhe as têmporas, acariciar seus cabelos e lhe ofertar ósculos com a
ternura de nenhum outro dado anteriormente. Queria encostar minha cabeça na
dela e não dizer nada, apenas sentir a sua respiração junto à minha. Apenas
sentir seu calor e seu suor se misturarem ao meu. Apenas me tornar sua.
Não
amo, não, amor talvez não seja a palavra ideal. Ela me encanta. Instiga-me.
Provoca-me. Desafia-me a querer algo tão diferente de mim, ter algo parecido
comigo e ao mesmo tempo tão distante de minhas mãos. Ela quer que eu fique
louca.
Dói-me
saber que minhas sensações se dão em apenas um instante, pois logo ela se vai.
Minha miragem desaparece, se esvai entre minhas mãos. Possui um compromisso.
Mas que mundo é esse que não nos permite viver sem sermos infortunados com
horas e horas marcadas?
Minhas
canções me deixam mais perto dela, trazem-na para mim. E quando dou por mim,
estou de banho tomado, deitada em minha cama com meu cenho voltado para a
parede e desejando sonhar. Sonhar os traços do meu Sol, e conseguir dizer-lhe
que meu sentimento não é falso como uma miragem, mas possuem batimentos.
(E.R)

Nenhum comentário:
Postar um comentário