Vou aprisionar o que sinto por você.
Cada lágrima, cada preocupação, cada carinho trocado.
Cada pensamento, cada desejo, cada lembrança.
Irei trancar cada pedaço desse amor doentio dentro de uma sala com uma grande porta de madeira maciça.
E, colocarei uma enorme fechadura com diversas correntes e trancas.
Irei esmurrar a porta e arranharei a madeira até perder as unhas.
Machucarei minhas mãos e braços tentando arrombá-la. Terei abstinência.
Serei uma péssima carcereira.
Não darei água ou comida.
Nem ao menos pão.
Ficarei à míngua.
Não haverá janelas, não haverá oxigênio.
Sentirei dificuldades em respirar e ficarei roxa.
Não abrirei a porta de forma alguma. Irei asfixiar.
Desejarei meu ar. Desejarei você.
E quando menos esperar, estarei deitada no centro da sala. Com frio e sem cobertor. Encolhida e magra.
Nem lágrimas terei para chorar; secaram todas.
Pupilas dilatadas. Gelada.
Enfim, morta.
No final, as trancas se abrirão e limparei a sala.
Tirarei o odor fétido de anos de prisão.
Não há prisioneiro, ele aprendeu a lição.
Aprendemos.
Renasceu mais forte e sem pecado.
Coração reconstruído esperando que não seja novamente aprisionado.
(E.R.)
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